NOITES FRIAS

NOITES FRIAS

Há muitos que se lamentam por um simples pedaço de pão que tem sobre a mesa e não se contenta que amanhã terá uma mesa abundante e satisfatória para saciar sua fome.
Há outros que choram porque não têm o que comer, diante dos olhos da desconfiança este pede um trocado: e estes mesmos olhos se julgam entre si próprio, em pensamentos constrói uma vida para aquele que esta pedindo um trocado, uma gratidão, uma veste, enfim, algo que lhe mate a fome, o frio, o abandono, a incerteza de uma manhã sem melhora; Certeza esta que diante dos sofrimentos já imagina o novo dia, a mesma rotina; Rotina esta de entrar nos coletivos, debaixo de uma catraca, diante dos olhos estranhos, este conta o trajeto de vida, muitos acreditam em seu itinerário: há outros que subjugam, não conhece a estrada que este caminha, não sabe quantos pontos este teve de passar para conseguir uma calçada para dormir. Não sabe dizer quantos olhares este teve que encarar para pedir, pedir pra não roubar.
E nesta noite fria há muitos que se isolam nos viadutos, nos palacetes abandonados, nos bancos de praças, nas grades de um terminal, nas calçadas das igrejas. Debaixo de um toldo de loja, sem teto, sem amigo, sem coberta, mais uma noite fria.

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