UM OLHAR POR TRÁS DO PAPELÃO

Um choro cansado,
Rosto molhado,
Face sem brilho,
Homem perdido,
Nas ruas do desamor,
Abandonados pelos seus,
Os seus desacreditaram em si.

Na rua a escassez,
Olhares de estupidez,
Mentes de julgamentos,
Faminto de pão,
Precisa de carinho,
Na noite sozinho,
Lutar pra viver.

Vestes gastas pelo uso,
Pés cansados e marcados
Por longas caminhadas,
Olhos perdidos no tempo,
Cabelos sujos das calçadas,
Pra uns não tem mais jeito,
Pra outros,
A história tem o bom desfecho.

É frio,
Chove lá fora,
Naquela calçada,
Por detrás do papelão,
Um olhar de desigualdade,
desumano,
direitos não reais.

Amanheceu,
Alguém chuta o papelão,
Não é lixo, é ser humano,
Olhos fixos sem perdão,
Sai daqui, aqui não pode ficar não.

Um olhar por trás do papelão.

(Ivanderlan Siqueira)

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