domingo, 8 de julho de 2018

AI QUE SAUDADE


Ai que saudade do tempo,
Em que se escrevia uma carta,
E na demora,
A ansiedade,
O amigo a espera.
Ai que saudade do tempo,
De escutar uma música pelo rádio,
Pra tristeza do ouvinte,
A melhor canção fora de freqüência.
Ai que saudade do tempo,
De ir a biblioteca,
Na data marcada pra entrega,
Do trabalho social.
Ai que saudade do tempo,
Do tempo da simplicidade,
De pouca maldade,
Do tempo que não volta mais.
Ai que saudade do tempo,
Em que se dava benção aos nossos velhinhos,
Conhecido e desconhecidos,
O importante é ter a benção daquele dia.
Ai que saudade do tempo...
(Ivanderlan Siqueira)

Esvaziei de mim por amor a TI



Pra chegar até aqui,
Deixei o meu lado,
Pra se apresentar,
E ser preenchido por TI.

Que eu seja sempre o menor,
E o Senhor possa crescer,
Pra chegar até aqui,
Bebi do vinho da restauração.

Esvaziei de mim,
Pra ser transbordado do Teu amor,
Ao invés de pedir,
Agradecer por TUA presença.

Que a minha face,
Seja a TUA face,
Porque assim,
Alguém vai me reconhecer.

Esvaziei de mim,
Porque o Santo dos Santos,
É o meu abrigo,
A onde se pode viver.

Esvaziei de mim,
Bebi o vinho da restauração,
E o que era amargo,
Aprendi adocicar.


(Ivanderlan Siqueira)

sábado, 7 de julho de 2018

O Poeta e o Pregador


Uma criatura
De pouca estrutura
A sua maior formosura
O dom de amar.
Não tinha cor,
Sexo e nem religião
Seus conselhos
Eram como um espelho
Com reflexos no coração.
Pela manhã
Com uma xícara na mão
Na outra um livro
Lido e relido
Um versiculo pro sermão.
Era um pregador
De contos e verdades
Em nosso meio
Era um menino
Sem ser traquino.
Do Pão da Santa Ceia
Ao pão com mortadela
Com respeito e amor
Bênção e gratidão
O Poeta e o Pregador.
Ao meu amigo Pastor Marcelo Garcia
(Ivanderlan Siqueira - o Magela)

SÍTIO DE ARARAS


Eu ainda era menino
Menino eu ainda era
Meu irmão era um moço
Muito mais moço do que eu
Amigos para sempre
Juntos brincavam de carrinho
No terreiro, perto do cercado
Dos gados do vizinho.
No sítio de araras
Eu ainda era menino
Menino eu ainda era
Papai fazia o queijo de coalha
Mamãe lançava a toalha
Na mesa do pão de cada dia.
No sítio de araras
Candeeiro na sala de reboco
O luar do sertão
Clareava o terreiro
A onde os companheiros
Prosavam com mamãe e papai
O céu era limpinho, estrelado
Maravilhado era à noite no sertão.
Sítio de araras
Foi por esta estrada, aonde eu caminhei
E os meus rastros apagados pelo tempo
Marcados e cicatrizados no meu coração.
(Ivanderlan Siqueira)

O CARRO DE BOI


Por volta das cinco da tarde,
Na companhia de mamãe e papai,
No sítio de araras,
Simplicidade enriquecida com alegria,
A vida do campo,
O tesouro da vida.
Os bois de carro,
Aprumados pra caminhar,
Entre terras alheias,
E no meio do caminho,
Casas entre as estradas,
Crianças no terreiro.
Um olhar para trás,
E se distância da simplicidade,
Do verde do campo,
Do pé de goiaba,
Do subir no pé de manga
Da casa simples no alto do açude.
Os bois já cansados,
Mamãe e papai em outra história,
Carro de boi já guardado,
Um coração maltratado
E o destino já traçado,
Por uma estrada sem chão.
(Ivanderlan Siqueira)

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Lembrete


revirei a gaveta da inspiração,
em um papel envelhecido pelo tempo,
vi que tinha uma escrita,
um pouco apagada,
com alguns traços amassados.
e estava escrito:
A tecnologia não é capaz de arrancar da infância,
a verdadeira simplicidade,
do terreiro empoeirado,
se imaginava uma cidade,
sem tecnologia,
com uma filosofia,
que não se ver,
no mundo atual,
amar o outro e ser amado.
(Ivanderlan Siqueira)

A Velha Usina


Em uma terra bem distante,
De sonhos encantados,
De versos lidos e relidos,
A cada passo um rastro deixado.
Uma usina no meio do vento,
distribuidora de lembranças,
Sua máquina de momentos,
Desligada no meio do tempo,
Maribondos e morcegos,
Uma rasga-mortalha,
Menino inquieto,
A sombra do esquecimento.
Uma calçada tão grande,
Quão grande é,
A lembrança daquele tempo,
Distribuído em cada estrofe.
Andorinhas de voos livres,
Armazém pra guardar o milho,
A usina de tantos moleques,
Pra ajudar, tinha um circo.
A usina e uma calçada,
Que virou sina,
Na lembrança uma mina,
Até um pé de fuló,
enfeitou esse ninho,
na esquina da Usina.
(Ivanderlan Siqueira)

O CLUBE


Acenderam se as luzes...
Dançante e atraentes,
Figurantes,
Amantes de si,
Protagonistas da sua própria história.
Uma vitrola,
A canção de outrora,
Um velho guarda,
Na porta de entrada.
De um lado,
O ambiente separado,
Uma prosa,
Casais de namorados.
Na pista,
O toca fita,
A velha vitrola,
Um disco internacional.
Em cada passo,
Em cada ritmo,
Ao poucos,
Uma pista vazia,
Os portões fechados,
Um telhado infinito e azulado,
Uma dança sem ritmo,
O guardiã é o vento.
Não se cobra pra entrar,
Os ingresso esgotaram,
O tempo foi curto,
Só a bilheteria da lembrança pode entrar.
E quem sabe,
Não possa ouvir,
Sentir e ver,
A dança dos passarinhos.
As luzes se apagaram...
(Ivanderlan Siqueira)

domingo, 1 de julho de 2018

A DOR DE UM POETA

A DOR DE UM POETA
Meu coração se entristeceu, 
minhas carnes estão doloridas
meus ossos parecem firmes

por dentro estão calejados
por um grande amigo que perdi.
A caneta está sem tinta
a folha em branco permanecerá
tantas perguntas se fazem 
e nenhuma quero aceitar.
Meu coração se entristeceu
meus olhos envermelhados
de lágrimas que se vêm, de dores de saudades
de um irmão que perdi.
A poesia está sem rima
as palavras sem letras, letras sem palavras, 
quão mudo eu fiquei.
Quão mudo estou agora, sem palavras e sem respostas
de tantas perguntas me perguntei, de quanto tempo eu perdi, 
de quanto tempo eu fiquei sem palavras e sem letras.
O poeta clama e chora
grita e implora,
como gostaria de viver
em outrora daquele dia,
daquela manhã,
daquele sol que aquecia
e aos poucos perderia uma manhã de esperança.
O poeta sem palavras
O céu sem o azul
O mar sem as águas
Uma história incompleta
assim se sente o poeta, 
assim se sente o irmão,
assim se sente o amigo.
É nas palavra vazias
é no coração dolorido
é na paz que finjo que tenho
é na visita que eu perdi.
Meu coração se entristeceu
minhas carnes estão doloridas
meus ossos parecem firmes, 
por dentro estão calejados
Minha garganta está entalada
por uma palavra que não disse.
Meu irmão Eis-me aqui.


( Esta mensagem é em homenagem ao meu irmão,SEBASTIÃO ROGÉRIODE SIQUEIRA, in memória)


NA EMBARCAÇÃO DO DESTINO DEIXEI ME ELEVAR



Ninguém se esquece da cidade que nasceu,
Ninguém amadurece,
sem ao menos deixar de ser
Elevado pela embarcação do destino.

Nesta embarcação que nos ilude com o tempo,
Tempo que não nos deixa voltar,
E nesta embarcação que saímos à deriva
Deparamos com as ondas da fascinação.

Com as ilhas do entusiasmo,
nos perdemos a noção do tempo,
De um tempo que nos deixa saudoso
Pela simplicidade, dessa cidade.

que a embarcação do destino fez me elevar,
para um mundo diferente,
Encontrar com outros filhos ausentes,
que a te também deixou.

E quando menos esperamos,
caímos no naufrágio da realidade,
E sobre uma tempestade,
que nos arrasta para a areia coração.

Vêm às feridas que dói,
e nem cicatriza,
por que são feridas das lembranças de um passado bom,
foi escrito na areia,
veio a Água e o apagou.

Na embarcação do destino deixei me elevar
E no mar de lembranças,
o meu coração se alegrará.

Sou um de tantos um,
tantos outros como outros,
se tornar,
filhos ausentes de São Vicente.

Com o coração ardente,
a alma pede esse presente,
um dia iremos voltar.


(Ivanderlan Siqueira)