domingo, 29 de abril de 2018

O PRIMEIRO ENCONTRO


Em cada gesto,
Um cuidar,
Cada olhar,
Cada carinho
Um sentido,
conquistar.

A primeira veste,
Um belo de um penteado,
O perfume mais caro e raro,
o primeiro encontro,
alguém pra conquistar.

Um presente e mais presentes,
Um chiclete pra mastigar,
Quem sabe,
No primeiro encontro,
O beijo alguém vai roubar.

O tempo se torna curto,
No primeiro encontro,
Um absurdo,
As horas passa rapidamente,
Tão pouco pra se amar.


(Ivanderlan Siqueira)

domingo, 15 de abril de 2018

O HOMEM VELHO (de espírito)



O homem velho,
se sente jovem,
Quer namorar com uma mocinha,
Não se contenta com sua velhinha,
Não usa camisinha,
Ainda pensa na vizinha.

O homem velho,
Se perde no tempo,
Tudo caído,
Já tá vencido,
Parece falido,
Ainda quer namorar.

O homem velho,
Quando se encarna,
Nem catuaba,
Nem viagra,
O infeliz quer tomar.

Diferente do homem bom,
De uma só fé,
De uma só mulher,
Seu corpo envelhece,
Mas o espírito,
Sempre se renova.

(Ivanderlan Siqueira)

sábado, 14 de abril de 2018

A ONDE ESTÁ O PRIMEIRO AMOR?



Pela manhã se contempla o esplendor,
E nas primícias de um dia se oferta ao criador,
Honras e glorias,
Saudações ao Rei,
A onde está o primeiro amor?

No inicio o sacrifício de uma vida,
Por um amor sobrenatural,
Não em teoria, mas em prática,
Ações, em caminhadas evangelísticas ,
A onde está o primeiro amor?

Não eras perfeito pelo ser humano que se forma,
Mas, se moldava com a perfeição,
Para que o coração fosse útil e temente a Deus,
Como Jó, quase no pó,
Integro e temente a Deus.

E por caminhar e se achar conhecedor da vida,
Diz que sabe tudo, mas o tudo que sabe,
O deixa sem conhecer o fato verdadeiro,
O primeiro amor,
A onde está?

Em secretos momentos direcionado ao céus,
Joelhos em terra seca, rosto curvado por temor,
Dias e horas em comunhão,
Sem água e sem pão, santidade espiritual,
Eram os frutos da comunhão.

Aos servos com olhar de ternura,
Aos aflitos um olhar de compaixão,
Nas noites traiçoeiras fazia a oração
 “Senhor visita os aflitos, ungi teus servos,
Daí nos a salvação!”.

A onde está o Primeiro Amor?

(Ivanderlan Siqueira)

domingo, 8 de abril de 2018

Série: Brasil, este é meu País – ( a divisão)


Imagine,
O corpo humano,
Se o braço esquerdo fosse pra direita,
O da direita fosse pra esquerda,
Os pês não tivessem as mesmas concordâncias.
Imagine um servo,
Que serve a dois senhores,
Um há de se agradar,
E o outro se aborrecerá.
Imagine,
Uma enxada sem a cunha no cabo,
Será que daria pra capinar o mato?
A semente sem ser lançada na terra,
Daria algum fruto de qualquer espécie?
Imagine,
Um carro de bois,
Um vai pro sul e outro vai pro norte,
Seu dono perderia a direção,
As rodas de um veículo com rotações opostas.
Imagine,
Se a dobradiça da porta fossem intacta,
Nem pra frente e nem pra trás,
A porta não se abriria e nem fechava.
Imagine em uma guerra,
Em um campo de batalha,
O alvo o inimigo,
E não os nossos próprios soldados.
Imagine um País,
Uma pátria,
Cada gente de nossa gente,
Um contra o outro,
Amigo açoitando amigo,
Democracia,
O que é isso mesmo?
Imagine...
(Ivanderlan Siqueira)

sábado, 31 de março de 2018

Diz que é de São Vicente... (Parte 5)



Histórias diferentes,
Gente da gente,
Comidas típicas,
Costumes e crenças,
Realidade e imaginação.

E com um rolete de cana na mão,
Ser beliscado pela mesma taboca,
Não trocaria por um pudim,
Que pra mim,
Não tem igual.

Um dim dim de biscoito,
Mastigar o plástico,
até acabar o gosto,
Era um efeito saboroso,
É como se fosse o último biscoito.

Um algodão doce,
Na mente da inocência,
a imaginação,
Uma ciência,
O açúcar se transformar em algodão.

O carvão e a carvoeira,
A lenha e a fogueira,
Um doce de mamão,
Menino de bermuda,
Costurado pelo rasgão.

Era um rio que sangrava,
Os cururus se uniam no poste,
As meninadas corriam atrás de tanajura,
Uma jura,
no óleo e na farinha.

Maribondo e borboleta,
Embuá que se enrola,
Na vitrola da vida,
O que se pode ouvir,
É só lembranças daquilo que se foi.

Da cunha da enxada,
A canga e o carro de boi,
O candeeiro e o querosene,
Uma toalha de chita na mesa,
Uma benção aos mais velhos.

Em cada canto foi criado,
um personagem com sua história,
escritas pelas mãos divinas,
guardado em cada coração.

Lembranças inofensivas,
Inofensivas lembranças,
Como um bolinho de goma,
Comprado em dona Joana.

Diz que é de São Vicente...

Em cada canto,
Em algum momento,
Filhos ausentes e presentes,
Bate no peito,
Sou de São Vicente.


(Ivanderlan Siqueira)

sexta-feira, 30 de março de 2018

A crucificação



O maior homem,
Um Santo,
De manto,
Em cada canto,
Por onde caminhava,
De linho puro seu manto,
Com marcas da crucificação.

Sem medo,
De mãos em mãos,
Em cada toque,
Um milagre,
Uma vida,
por cada olhar,
veio a crucificação.

Sentiu a dor,
Da carne,
Da rejeição,
No coração a certeza,
Vida longa ao Rei,
Trocado por um ladrão,
Foi pra crucificação.

Sem dó,
Em um nó,
Amarrado,
Como se fosse  um malfeitor,
Por amor,
Sem religião,
Sofreu a dor,
Da traição.

E no calvário,
De braços abertos,
Com pregos da injustiça,
Crucificado,
Perfurado,
Ensanguentado,
Por amor,
Foi crucificado.


(Ivanderlan Siqueira)

domingo, 18 de março de 2018

Diz que é de São Vicente... (Parte: 3)



E de repente,
No meio de tanta gente,
O pó da madeira,
Espalhado pelo chão,
Levado pelo vento,
Zé de Pedra e sua arte,
Tornear,
Embelezar,
Os moveis do sertão.

Ao lado,
O beco de Marisa,
Quem é que nunca correu,
Com medo de assombração,
Ou ser Maluvido,
Pegar pimenta,
Pra esfregar no Zoio,
ou na venta,
de menino traquino.

Na fazenda de Jorge,
Um vaqueiro sonhador,
Quem me dera um alazã,
Nas vaquejadas das emoções,
Na descida pro açude,
Raimundo de Zé Olinto,
Com a sua Rural 63,
Desce toda gente,
Daqui pra frente vai ter que empurrar.

No sítio Santo Antônio,
Areia branca,
Coco sem fim,
Sol ardente,
Uma pinha ou graviola,
Corre e se enrola,
Antônio Abílio,
vem atrás na correria pra tomar.

Na cidade,
Ou na rua.
No balcão de um bar,
Uma vitrola,
A canção do momento,
Dona Virginia,
Em que lhe posso ajudar,
Velho barreiro,
Galinha d`agua,
Por favor pode se sentar.

Virei a página,
Veio a lembrança,
Uma correria,
Menino malvado,
Com medo de Dasdores,
Não podia ouvir,
“olha o peru!”
a doida corria até pegar.

Diz que é de São Vicente...

E guarda no coração,
Tanta gente pra contar,
Histórias sem palacetes,
Um reino encantado,
Sem rei e sem rainha,
Porque a lei era,
Dar um bolo ligado pro vizinho,
E esperar que um dia,
Você tenha que retribuir,
Lembranças.


(Ivanderlan Siqueira)