sábado, 31 de março de 2018

Diz que é de São Vicente... (Parte 5)



Histórias diferentes,
Gente da gente,
Comidas típicas,
Costumes e crenças,
Realidade e imaginação.

E com um rolete de cana na mão,
Ser beliscado pela mesma taboca,
Não trocaria por um pudim,
Que pra mim,
Não tem igual.

Um dim dim de biscoito,
Mastigar o plástico,
até acabar o gosto,
Era um efeito saboroso,
É como se fosse o último biscoito.

Um algodão doce,
Na mente da inocência,
a imaginação,
Uma ciência,
O açúcar se transformar em algodão.

O carvão e a carvoeira,
A lenha e a fogueira,
Um doce de mamão,
Menino de bermuda,
Costurado pelo rasgão.

Era um rio que sangrava,
Os cururus se uniam no poste,
As meninadas corriam atrás de tanajura,
Uma jura,
no óleo e na farinha.

Maribondo e borboleta,
Embuá que se enrola,
Na vitrola da vida,
O que se pode ouvir,
É só lembranças daquilo que se foi.

Da cunha da enxada,
A canga e o carro de boi,
O candeeiro e o querosene,
Uma toalha de chita na mesa,
Uma benção aos mais velhos.

Em cada canto foi criado,
um personagem com sua história,
escritas pelas mãos divinas,
guardado em cada coração.

Lembranças inofensivas,
Inofensivas lembranças,
Como um bolinho de goma,
Comprado em dona Joana.

Diz que é de São Vicente...

Em cada canto,
Em algum momento,
Filhos ausentes e presentes,
Bate no peito,
Sou de São Vicente.


(Ivanderlan Siqueira)

sexta-feira, 30 de março de 2018

A crucificação



O maior homem,
Um Santo,
De manto,
Em cada canto,
Por onde caminhava,
De linho puro seu manto,
Com marcas da crucificação.

Sem medo,
De mãos em mãos,
Em cada toque,
Um milagre,
Uma vida,
por cada olhar,
veio a crucificação.

Sentiu a dor,
Da carne,
Da rejeição,
No coração a certeza,
Vida longa ao Rei,
Trocado por um ladrão,
Foi pra crucificação.

Sem dó,
Em um nó,
Amarrado,
Como se fosse  um malfeitor,
Por amor,
Sem religião,
Sofreu a dor,
Da traição.

E no calvário,
De braços abertos,
Com pregos da injustiça,
Crucificado,
Perfurado,
Ensanguentado,
Por amor,
Foi crucificado.


(Ivanderlan Siqueira)

domingo, 18 de março de 2018

Diz que é de São Vicente... (Parte: 3)



E de repente,
No meio de tanta gente,
O pó da madeira,
Espalhado pelo chão,
Levado pelo vento,
Zé de Pedra e sua arte,
Tornear,
Embelezar,
Os moveis do sertão.

Ao lado,
O beco de Marisa,
Quem é que nunca correu,
Com medo de assombração,
Ou ser Maluvido,
Pegar pimenta,
Pra esfregar no Zoio,
ou na venta,
de menino traquino.

Na fazenda de Jorge,
Um vaqueiro sonhador,
Quem me dera um alazã,
Nas vaquejadas das emoções,
Na descida pro açude,
Raimundo de Zé Olinto,
Com a sua Rural 63,
Desce toda gente,
Daqui pra frente vai ter que empurrar.

No sítio Santo Antônio,
Areia branca,
Coco sem fim,
Sol ardente,
Uma pinha ou graviola,
Corre e se enrola,
Antônio Abílio,
vem atrás na correria pra tomar.

Na cidade,
Ou na rua.
No balcão de um bar,
Uma vitrola,
A canção do momento,
Dona Virginia,
Em que lhe posso ajudar,
Velho barreiro,
Galinha d`agua,
Por favor pode se sentar.

Virei a página,
Veio a lembrança,
Uma correria,
Menino malvado,
Com medo de Dasdores,
Não podia ouvir,
“olha o peru!”
a doida corria até pegar.

Diz que é de São Vicente...

E guarda no coração,
Tanta gente pra contar,
Histórias sem palacetes,
Um reino encantado,
Sem rei e sem rainha,
Porque a lei era,
Dar um bolo ligado pro vizinho,
E esperar que um dia,
Você tenha que retribuir,
Lembranças.


(Ivanderlan Siqueira)

sábado, 10 de março de 2018

Diz que é de São Vicente...


Um povo diferente,
Sente na alma ardente,
A lembrança de antigamente.
A primeira professora,
O bilhar de Dativo,
As varredeiras de rua.
A usina de frente pra cadeia,
João da mata cabra valente,
Fechava a rua com sua mula semanalmente.
Leno doido,
Sai da frente
Que tem muita gente pra se lembrar.
3 horas da tarde,
o açúcar pra empacotar,
na bodega de Zé Padre pra comunidade comprar.
O misto com bule de madeira,
O carro pipa,
Desce a ladeira.
As emergências,
Os trabalhadores com paviolas,
O campo de Inacin.
Miro, o bêbado cantador,
O chapéu de celestino,
A barraca de chico Honório.
O mastigado de Suca,
O grupo velho,
Veio o progresso e derrubou.
As ruas sem calçamento,
Biu biano registrou,
Lola, o guarda noturno chegou.
Davi e Gideão,
Construtores de lares,
Acende o candeeiro,
O motor vai desligar a energia do lar.
Diz que é de São Vicente,
Bate no peito dignamente.
(Ivanderlan Siqueira)